Lembranças da escola

2009 Janeiro 16
by Edinho

Hoje resolvi escrever de uma época boa, em que não tinha conta do celular, aluguel de casa, mensalidade da escola do filho, natação, karatê, curso de inglês, IPVA do carro, supermercado, feira, açougue, taxas bancárias e nenhum outro tipo de despesa que não fosse com o único intuito de diversão.

Lembrei da época em que meus compromissos baseavam-se em entregar os trabalhos escolares e tirar boas notas era o máximo que me exigiam. E também das aulas…

Tudo bem que não fui o melhor dos alunos na sala de aula, mas recordo da época em que estudava matemática e não entendia a razão de se aprender trigonometria esférica (até hoje não entendo).

Quiçá as aulas de biologia tivessem sido mais aproveitadas, bem como as de física e química. Hoje poderia ser um grande pediatra ou cardiologista.

Geografia e história (ou antes, bem antes, ciências) até hoje ainda gosto, pois me deixam situados sobre o que está acontecendo, onde, porque e o que poderá vir a ser.

Sem contar as aulas de português, aí sim, uma disciplina que até hoje ainda admiro (e tento me manter constantemente atualizado).

Além disso, o que dizer do intervalo entre as aulas, no começo usado para jogar futebol com bola de meia, cujo destino até hoje não sei, visto que as irmãs – estudei num colégio de freiras – sempre pegavam, até quando os rapazes se reuniam para falar das meninas e vice-versa.

E as meninas mais velhas, das turmas seguintes, que eram bonitas, mas que aparentemente eram metidas ou dos rapazes do convênio que não tinham nada na cabeça e se achavam os maiorais… Será que as meninas viraram belas mulheres e ficaram mais humildes? E os caras, será que continuam sem nada na cabeça, se achando os maiorais?

Só que não é esse o ponto em que quero chegar…

É justamente da minha turma, dos meus amigos (colegas) e amigas, inimigos (se é que os tinha) e dos professores que precisava saber. Mas, quando muito, lembro só do primeiro nome.

O Orkut sempre tem nome e sobrenome, não adianta pesquisar tanto. Tudo bem que tem a comunidade do colégio (valeu, Hélio!), mas tantos ficaram com a fisionomia muito diferente (engordaram, envelheceram, pintaram o cabelo)… Sei que algumas dessas pessoas já se foram (alunos e professores).

Debalde recordar daquelas salas de aula lotadas, do corre-corre nos corredores, dos aviões de papel, dos primeiros amores, pois aquela época não voltará tampouco tenho como voltar no tempo (e nem quero)…

Na verdade, acho que não é a saudade daquela idade que eu tinha que sinto agora, e sim o fato de saber que lá não tinha compromissos com nada, somente estudar.

Hoje, são as contas, são os filhos, é o nosso trabalho que consome nosso tempo. E que bom que temos tudo isso para nos preocupar. E, pensando bem, ainda bem que não ficamos presos no tempo, pois certamente não cresceríamos, afinal, idade não tem haver com maturidade e sim as experiências vividas e aprendidas através dos anos.

Enfim, posso dizer que hoje sou quem sou por causa de tudo e de todos que passaram pela minha vida, sejam os zeros que nunca tirei (verdade!) ou os 10, sejam os colegas e amigos e amigas, os professores, os amores platônicos e os amores reais…

E é por isso que hoje,

Eu ando a cidade…

Um dia, uma noite

2009 Janeiro 16
by Edinho

Um dia

    Todo dia,

Sempre o dia,

    Dia-a-dia,

        Correria

Uma noite,

    Toda noite,

Sempre à noite,

    Noite após noite,

        Açoite

Dia, noite, noite, dia

Corre, fere, fuga, corre

Um e uma,

    Todo sempre

Sempre dia,

Sempre noite,

    correria, açoite

Venda

2008 Dezembro 30
by Edinho

Venda nos olhos,

Desvenda com o olhar

Verdes pastos a observar

Alva pele, alvo do olhar

Nunca uma esperança, mas uma nova lembrança.

Ausência

2008 Dezembro 30
by Edinho

Alguns dias sem postar, apenas observando a cidade…

Orkutiando?!

2008 Dezembro 13
by Edinho

“Hey, você tem Orkut?”

É assim que hoje em dia, na maioria das vezes que a gente acaba de conhecer alguém, ou ouvimos essa pergunta ou a acabamos fazendo.

De uns tempos para cá, quase todos os meus amigos/amigas possuem perfil no Orkut. Os que não deram o braço a torcer para esse site de relacionamentos (?), estão prestes a fazer. Se não estão, continuam com o discurso de “é perda de tempo”.

Ora, num mundo em constante transformação e que as pessoas passam maior parte do tempo em busca de sua felicidade (pessoal, profissional, financeira), percebemos que estamos, no dia-a-dia, ficando mais solitários e egoístas. Ou não?

Com a criação do Orkut, voltamos a ter aquela sensação nostálgica de encontrar velhos amigos que há tempos não víamos ou sabíamos notícias.

Amigos de infância, do colégio, do cursinho de inglês. Amigos que conhecemos e perdemos contatos por terem se mudado de cidade (ou nós mudarmos), mas que encontrávamos sempre nas mesmas festas (sim, graças às comunidades dos locais de festas – Dá-lhe Mormaço!).

Dias desses, até então, nunca havia pensado em usá-lo para procurar programas ou outras coisas do gênero, mas existem comunidades específicas para isso ou recados em que podemos utilizar o link para tal (valeu Sérgio).

Um dos recursos interessantes também é de você ficar sabendo quem deixa recado para você através do seu e-mail. E como o ser humano (sua grande maioria) é curioso, a vontade de fazer o login e ver qual é o recado é imediata.

Pois bem, de um tempo para cá, a gente (sim, você também, com certeza!) tem recebido mensagens de pessoas que você nunca viu ou soube existir?

Agora a parte mais irritante (ou, se preferir, cômica): recados pornográficos ou sem qualquer sentido!

“Meu namorado filmou a gente transando e colocou na net” ou então “Tô te esperando ansiosa na web cam”…

É o fim da picada.

Usar o Orkut para rever amigos, deixar recados para parentes, exibir fotografias suas para quem está distante ou então diminuir a saudade as vendo (na rua, na chuva, na fazenda…), vá lá…

Mas para fazer papel de ridículo (mas ridículo é quem clica, pois não entendo como tem gente que ainda cai nesses golpes) querendo somente encher a paciência (ou se divertir) dos outros, é demonstrar que ainda temos tanta gente desprovida de qualquer inteligência, bom-senso e respeito à praticidade do sistema.

Outra coisa que acho cômica (está bem, às vezes, desperta uma curiosidade) é quando você vê nas últimas pessoas que lhe visitaram nomes de gente que você nunca viu…

Ora, quem cria um perfil no Orkut não está querendo privacidade, pois se quisesse usava somente o MSN ou telefone (cuidado com as escutas) ou então marcava um encontro pessoalmente. Então quem cria perfis como “@!#!@%Euzinha@!#!@”, “XERETA” ou qualquer outra coisa sem fundamento algum (pelo menos, não encontrei algum) deveria deixar scraps também do tipo “hey, sou eu, fulano. Sim, resolvi saber um pouco mais de você ou o que você anda fazendo”…

Seria mais sensato.

Enfim, acho que resolvi escrever isso porque estava querendo encontrar algumas pessoas que, diferente dos norte-americanos (pelo menos nos filmes sempre se apresentam com nome e sobrenome), não estou achando justamente por não lembrar o sobrenome.

Mas vou continuar fuçando, com meu próprio perfil, nas comunidades ou perfis que julgo estarem ou serem…

E encontrando ou não, vou continuar aqui, fazendo o que faço:

Eu ando a cidade…

Pecado

2008 Dezembro 12
by Edinho

O medo de pecar leva ao medo de agir.

Desejo repreendido com o medo de pecar.

Esse desejo é errado.

A vontade é um pecado?

Pobres coitados, covardes por querer e não poder.

Quem quer e pode, faz.

Guerra com o corpo, mas alma na paz.

Faz, sem medo, com desejo, um beijo, pecado, roubado.

Pecado… Que pecado?

Beijo, desejo, medo…

Sem nunca saber o que perder.

Perde só um beijo, pede só um beijo.

É desejo… De pecar, beijar…

Sem medo…

Um beijo?

V de Vingança

2008 Dezembro 11
by Edinho

Trecho da HQ V de Vingança:

vdevinganca

“Nossa integridade é vendida por tão pouco.

Porém, ela é tudo que temos.

Ela é nosso último pedacinho, mas nele, nós somos livres. (…)

Eu nunca chorei tanto em minha vida. Cada pedacinho de mim vai morrer.

Exceto um, a integridade.

Ela é pequena e frágil e é a única coisa no mundo que ainda vale a pena se ter.

Jamais devemos perdê-la, vendê-la ou entregá-la.

Nunca devemos deixar que a tirem de nós.

Eu espero que, seja quem for, que o mundo mude, que a situação melhore.

Mas o que eu mais quero é que você entenda o que estou dizendo

quando falo que apesar de não conhecer você,

apesar de talvez nunca encontrar você,

rir com você, chorar com você ou beijar você,

eu te amo de todo meu coração. Eu te amo”.

Cego

2008 Dezembro 6
by Edinho

E nessa cegueira, ali está ele.

Cada vez mais inquieto, ele sabe que não adianta mais fugir.

Toda aquela ira que o incomoda há tempos deve ser extravasada. A qualquer preço.

Estaria disposto a pagar aquele valor?

Adão Myszak disse que a sociedade é a única responsável pelos criminosos que tem.

Ele pensa assim.

Envolto naquela manta, com a máscara a cobrir-lhe a face, ele sabe que é a única coisa que pode ser feita.

E ele está disposto a tudo.

Procurando as próximas vítimas. E os encontra sob a luz daquele poste, à entrada daquela vila.

Um casal que acabara de saborear um jantar, mal sabe que pode ter sido o último.

E como a gota d’água procura escorrer por entre as frestas de telhados velhos, ele sinuosamente emerge da escuridão próxima.

E ataca. Puxa à arma presa a cintura e mira a cabeça do rapaz. A mulher entra em prantos. Sabe que, gritando, o companheiro morrerá.

Não tem saída, pensa o casal. É entregar o que, durante o dia, após um mês de correria, esforço e suor, haviam conseguido receber.

Eu, de longe, sinto a agonia nela, nele e em seu algoz.

Ela, por sentir-se culpada por tê-lo levado em casa. Ele, por saber que não tem saída.

O malfeitor, feito a cidade que suga de seus filhos o tempo, a vida, o dia-a-dia, também agoniado por saber que está errado. Mas não é culpa dele.

De repente, uma voz ecoa naquele beco. É uma pessoa conhecida dela. Grita e assusta o facínora que tem fome, tem sede.

Ele não pensa duas vezes. Dispara. Ela grita. Ele fecha os olhos. O criminoso sai em disparada. Ela chora. Ele a abraça.

A ira do criminoso dá espaço ao medo. E o medo do casal vira ira.

Adentra ao carro estacionado ali próximo em busca do criminoso. Ela pede calma e ele só pensa em vingar-se.

O bandido corre saltando entre carros. Ele, agora cego, entra rapidamente numa via movimentada.

Ela volta para casa. Ali, os perco. Ele, ela, o bandido.

Não sei o que virá…

Tento buscar informações nas manchetes matutinas sobre o que vi.

O que encontro são mais casos de ira, raiva, intolerância, vingança, crimes…

Para fugir disso,

Eu ando a cidade…

Eu ando a cidade

2008 Dezembro 2
by Edinho

Eu ando a cidade…

Rostos sem foco, passos acelerados, vozes sussurrando. Latidos, sirenes, gritos, sussurros…

Chamando alguém, chamando a todos. Todos correndo, andando, falando…

A cidade observa a cidade nesse ritmo frenético. Eu observo esse ritmo. Eu a observei.

E num estado onírico procurei razões para decifrá-la. Ela e seus moradores. Eles e seus comportamentos.

Lamento não poder detalhar todos. Na verdade, nem posso, nem devo. Mas tento.

Em todos, algo em comum: todos erram. São humanos. Poucos aceitam. É natural.

E ela… Ah, como se não soubessem o que dizer dela. Tolo engano. Cegos.

Não percebem que estavam indo diretamente ao que ela mais buscou nos últimos anos.

A individualização de seus filhos e passageiros sobrepondo a socialização.

Cada vez mais somos números ímpares, desfragmentando valores e costumes.

Cada vez mais somos egoístas, lutando para sobreviver nesse esmiuçado mundo competitivo.

E a pressa aumentando. Tempo diminuindo, diminutos momentos de admiração e contemplação de coisas que, até certo tempo, apreciávamos.

O botão de rosa, o cheiro da fruta, a chuva fina, a brisa suave, o crepúsculo matutino, o pôr-do-sol, o riso infantil, o olhar. Um aperto de mão, um sorriso sincero, um abraço amigo.

Palavras fortes, gravadas numa via ou na infovia, enviadas corretamente ou enviesada numa corrente. Foi-se o tempo.

Só me resta fazer o que eu aprendi a fazer, sem pressa agora, já que nada faz tanto sentido. Ou faz as pessoas ficarem sentidas. Sem sentido.

Eu ando a cidade…

Exórdio?

2008 Novembro 30
by Edinho

Primeiramente, quero deixar claro que aqui nada poderá ser tão claro, por motivos claros…

Entretanto, tentarei sintetizar (ou não?) tudo que penso (ou não) sobre como o que é, poderia ter sido e também sobre o que não foi, que quem sabe já não é…

Tudo provém do ser ou do não ser. Se provém do ser, já é, porque nada é o que já não foi. Se do não ser, nada é, mas pelo simples fato de ser não ser, já é, mesmo que nada.

É complicado, não é?

Mas é assim mesmo. A tendência é tão somente piorar (ou melhorar)?

Filosofia barata à parte, o que pretendo de fato é deixar o fato de que precisava escrever para espairecer. E divulgar isso, seja por pura vaidade ou por pura falta de não fazer nada além de escrever.

Todos têm que escrever. Seja uma piada, uma canção, um poema, uma frase já dita, uma mensagem romântica, um palavrão (utilizar linguagem chula ou não, depende de você). Mas temos que escrever.

A mente é falha. Nós somos falhos. E como deixar para posteridade o que pensamos, o que sentimos? “Usa a net, uma máquina digital, um gravador…” poderiam ser respostas. Mas a minha é: escreva, somente escreva.

As pessoas não têm mais tempo para nada e, dentro do nada, existe a leitura, que pode ser tudo. A escrita é um marco histórico na humanidade, pois deixa registrado para as futuras gerações o modo de viver, de agir, de pensar…

Mas como escrever bem sem ler bem? Não encontro coerência nem coesão nesse texto.

Mas é assim mesmo. Tenho que escrever. Quando cansar, faço o que espero fazer todos os dias. Andar a cidade…